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Núcleo Zero retorna ao universo de Lêdo Ivo em projeto de memorial

Núcleo Zero retorna ao universo de Lêdo Ivo em projeto de memorial

Imortal da Academia Brasileira de Letras, o poeta e romancista Lêdo Ivo é um dos mais premiados e prestigiados literatos alagoanos. Traduzida para diversos idiomas, sua obra interessa ao mundo, e principalmente a nós, por lançar luz sobre uma Alagoas muito particular.

“Naturalmente, senti muita alegria por ser reconhecido pelo meu estado natal. Porém, mais que vaidade pessoal, fiquei feliz porque minha longa trajetória poderá ser mostrada para os estudantes”

A visão de Lêdo Ivo sobre sua terra natal compõe um verdadeiro universo particular onde símbolos como o mar, o farol e o curral de peixes ganham significados amplificados. Em sua carreira literária, não faltaram condecorações e prêmios que reconheceram sua dimensão artística. Porém o recém-inaugurado Memorial Lêdo Ivo, espaço projetado no Museu Palácio Floriano Peixoto com curadoria da historiadora Lêda Almeida, projeto arquitetônico de Adriana Guimarães e projeto gráfico e acervo audiovisual do Núcleo Zero, tem uma importância especial para ele.

“Naturalmente, senti muita alegria por ser reconhecido pelo meu estado natal. Porém, mais que vaidade pessoal, fiquei feliz porque minha longa trajetória foi registrada de maneira didática, pedagógica e cultural, e poderá ser mostrada para os estudantes”, diz o autor de Ninho de Cobras.

O Memorial Lêdo Ivo reúne o mais completo acervo sobre a obra do escritor. Estão lá diversos originais, objetos pessoais, certificados, prêmios, sua máquina de escrever, entre outras peças que ajudam a contar sua relação com Alagoas e com a literatura, da infância até aqui.

O espaço é composto por quatro salas. Uma delas é dedicada a uma linha do tempo que acompanha, ano a ano, seus principais feitos.  No hall de entrada, telas exibem vídeos em que Lêdo Ivo discorre sobre os mais diversos temas, de suas influências ao seu método criativo. Complementado o Memorial, não faltam fotos raras e ilustrações criadas para dar vida ao universo retratado em sua obra.

Presente na cerimônia que o homenageou e inaugurou o Memorial, no dia 25 de dezembro de 2010, o poeta reconheceu a relevância da iniciativa. “Um espaço como esse é muito importante para preservar a nossa memória, não deixar que ela se perca. Jorge de Lima, que teve uma obra grandiosa, não teve quem guardasse sua memória. Muita coisa desapareceu. Hoje um estudante encontra muita dificuldade para pesquisar sobre ele”, diz.

IMAGEM PENINSULAR DE LÊDO IVO

“O documentário continua sendo muito reproduzido e comentando até hoje, e sem dúvida deu uma grande contribuição para que minha memória continue viva”

O Memorial não foi à primeira imersão do Núcleo Zero no universo de Lêdo Ivo. Em 2003 ele foi tema do primeiro documentário dirigido por Werner Salles Bagetti.

Vencedor do prêmio DocTV, o filme, veiculado na TV Cultura e outras TVs públicas, ajudou a difundir o nome do escritor para um público ainda maior. “O documentário de Werner continua sendo muito reproduzido e comentando até hoje, e sem dúvida deu uma grande contribuição para que minha memória continue viva”, celebra o poeta.

Foto: Ricardo Lêdo


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S. Bernardo reabre o Cine Clube Núcleo Zero

S. Bernardo reabre o Cine Clube Núcleo Zero

A visão de um gênio como Leon Hirszman (Eles Não Usam Black-tie) para a obra de um gigante como Graciliano Ramos está impressa em S. Bernardo (1973), longa-metragem que, apesar de pouco visto, figura entre os maiores clássicos do cinema brasileiro. No filme e também no cultuado romance do autor alagoano, o fazendeiro Paulo Honório (Othon Bastos) “revisa” a trajetória que lhe proporcionou fortuna, mas também lapidou o caráter de homem rude, rancoroso e paranóico. Hipnotizado pelo poder e movido pela cobiça, é capaz de, entre outras coisas, matar os que criam obstáculos para seus propósitos. Assim como a maioria dos personagens de Graciliano, Honório é um retrato fiel da realidade alagoana. Um tipo que, década após década, não se desvincula da nossa cultura. Já foi o senhor de engenho, o coronel, e hoje representa nossa classe política.

Longa foi rodado na cidade alagoana de Viçosa

Quando os índices de violência nos apontam como o Estado com o maior número de homicídios na história do País, nada mais pertinente que buscar entender as origens dessa tragédia social. O cinema de Hirszman e a literatura de Mestre Graça são ótimas ferramentas para refletir sobre quem somos. E por isso escolhemos S. Bernardo para retomar a programação do Cine Clube Núcleo Zero. A sessão vai rolar em breve. Fique atento para a divulgação de data e horário em nossas redes sociais. Você é nosso convidado.

SOBRE O CINECLUBE NÚCLEO ZERO

A publicidade é antropofágica, se nutre de referências de fora de seu universo. E por isso criamos o Cineclube Núcleo Zero para ver, discutir e pensar cinema. Sonho Tcheco, um documentário que analisa o papel da publicidade na sociedade de consumo, inaugurou o projeto. Outras sessões estão previstas, sempre com programação e horário definidos momentos antes. Com isso queremos atingir um público sempre inesperado, disposto compartilhar a experiência de ver um bom filme. Se você quiser participar, fique ligado. Mande seu e-mail para a gente, que a qualquer momento pode rolar a próxima sessão.

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