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Narrativas em Movimento

Narrativas em Movimento

Promovida pelo Núcleo Zero e contemplada no programa Rumos Itaú Cultural, iniciativa passa por seis municípios de Alagoas

Foto: Divulgação

O projeto Narrativas em Movimento, do Núcleo Zero, pode ser definido como uma versão contemporânea das caravanas circenses que, na era pré-televisão, levavam entretenimento para as cidades do interior do Brasil. Projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural (2015-2016), um dos principais programas de fomento à cultura do país, passa por seis cidades históricas do interior de Alagoas propondo a criação de vídeos sobre lendas regionais, memórias familiares das pessoas locais. Os conteúdos serão projetados em prédios históricos e nos espaços públicos mais representativos para a comunidade, fortalecendo a visão do alagoano de sua terra e riqueza cultural. O primeiro município a ser visitado é Marechal Deodoro, entre os dias 10 e 15 de novembro.

O grupo utilizará um carro adaptado com um mini estúdio audiovisual em seu interior e projetores e equipamentos de som acoplados na parte externa. Essa estrutura permitirá a itinerância pelas cidades e a realização de um espetáculo visual construído a partir de conceitos e tecnologias modernas, com recursos como a holografia, projeção mapeada e técnicas de animação diversas. O veículo carregará uma equipe multidisciplinar montada para atender as necessidades da proposta, contando com o documentarista Werner Salles, o jornalista Rafhael Barbosa, o animador Weber Salles e Ulysses Lins, técnico de projeção mapeada.

Ações semelhantes de intervenção urbana são comuns nas capitais brasileiras, porém foram pouco experimentadas em localidades do interior do nordeste. “Partindo dessa constatação, pretendemos proporcionar uma experiência marcante para os moradores de cada cidade visitada pelo projeto”, afirma Werner Salles. A interatividade, o envolvimento da população e o sentimento de pertencimento das pessoas com as histórias do local onde vivem são elementos chave da proposta.
Etapas
O processo de trabalho está dividido em três etapas, realizadas durante cinco dias em cada localidade. No primeiro momento, o carro circulará pelas ruas, como um carro de som, divulgando o projeto e convidando a população a levar suas histórias pessoais, afetivas, memórias familiares, lendas regionais, entre outras. A segunda etapa é a realização de uma oficina, com cerca de 30 pessoas.

Foto: Divulgação

Os temas abordados serão educação patrimonial, para falar sobre a ideia de pertencimento do público com a sua cidade, a memória e valorização; técnicas de projeção mapeada, com testes e explicações sobre o processo; e a construção de conteúdo com os participantes, quando serão ensinadas técnicas como stop motion e animação 2D. As narrativas criadas durante as aulas serão trabalhadas a partir do conceito de storytelling.

Depois de selecionadas, as histórias serão editadas e transformadas em micronarrativas animadas. No final de cada dia de trabalho, o automóvel percorrerá novamente as ruas da cidade durante a noite, projetando vinhetas com parte do que foi produzido, como uma forma de ensaio, de convite para o grande dia: a projeção final, que acontece ao fim do processo.

“Estamos construindo conteúdos audiovisuais em cima de pesquisa sobre a história, iconografia e personagens das cidades”, conta Salles. “Esses conteúdos já estão sendo produzidos considerando a superfície arquitetônica dos locais.” Depois de Marechal Deodoro, a visita é em União dos Palmares, seguindo para Piranhas, depois Penedo, Água Branca e, por último, Porto Calvo. Todas elas foram escolhidas pela história que carregam.

De acordo com ele, apesar de possuir um território pequeno, Alagoas foi palco de importantes episódios históricos, convertendo-se em um dos protagonistas do processo de formação do Brasil. Cita, como exemplo, o desembarque do Bispo Sardinha, supostamente morto pelos índios Caetés em 1556, na região onde hoje se situa o município de Coruripe, litoral sul do estado. Tem também o Quilombo dos Palmares, considerado por estudiosos o mais duradouro e mais organizado refúgio de negros escravizados das Américas, o qual mobilizou o maior esforço militar da coroa portuguesa depois do confronto com os invasores holandeses.

“A própria história da ocupação holandesa teve um alagoano entre seus protagonistas: o controverso senhor de engenho Domingos Fernandes Calabar, que colaborou de modo decisivo para as conquistas dos invasores”, afirma. “A presença alagoana acompanha todos os períodos históricos, chegando à formação da República, quando o alagoano Deodoro da Fonseca se torna o primeiro presidente do Brasil, e com Floriano Peixoto, seu sucessor no cargo. ”

Nos séculos seguintes o estado continua na rota dos grandes acontecimentos do Nordeste. “Foi no sertão alagoano que Delmiro Gouveia ergueu a primeira usina hidrelétrica do país”, diz. “No campo cultural, nomes como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Lêdo Ivo, Breno Accioly e Hermeto Pascoal ajudaram a construir o imaginário nordestino com seus olhares tão regionais quanto universais”, continua. “São alagoanas obras imortalizadas pelo cinema nacional, cujas locações se apoiam nas marcantes paisagens do estado, seja o chão rachado do sertão, no mar, a lagoa ou as águas do Rio São Francisco.

Alagoas é o estado que mais possui manifestações populares no país e, mesmo com toda essa riqueza, Werner explica que a população não desenvolveu o reconhecimento destes patrimônios, assim como o sentimento de pertencimento a uma cultura expressiva e ainda reverberante. “Tal processo tem efeitos diversos, influenciando, entre outros aspectos, a relação da população com os espaços urbanos e a arquitetura”, fala. “Nessas cidades que visitaremos, muitos moradores não compreendem a necessidade de preservar o patrimônio arquitetônico, muitas vezes perdendo a chance de explorar comercialmente o potencial turístico que uma cidade histórica costuma possuir.”

Durante o processo, o material filmado, animações, making off, entrevistas, apresentações e participações do público será editado e divulgado nas redes sociais do grupo.

As cidades
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Em Marechal Deodoro a projeção final é feita no Convento Franciscano do Carmo, no dia em que se comemora a Proclamação da República e na cidade natal de Deodoro da Fonseca, o proclamador. O trabalho será justamente em cima desse tema, a história da cidade, que começa com a exploração do pau Brasil, a construção das igrejas seculares, que passa pelo Franciscanismo, a arte sacra, entre outros.

 

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Em União dos Palmares a atividade está programada para o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. As imagens serão sobrepostas na Casa Jorge de Lima, poeta nascido lá. Considerada uma das principais cidades do estado, é banhada pelo Rio Mundaú e conhecida por ser a terra da liberdade, pois foi onde Zumbi dos Palmares, mais precisamente na Serra da Barriga, deu o primeiro grito de liberdade. Movido por essa atmosfera, o Núcleo Zero aborda questões como religiões de matrizes africanas, Zumbi, poemas negros e Jorge de Lima.

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Os prédios tombados pelo Patrimônio Histórico que recebem as projeções dos próximos municípios ainda não foram escolhidos. Nas cidades do interior de Alagoas, os festejos natalinos são importantes e estão associados aos folguedos e presépios. Pensando nessas tradições, no dia 20 o Narrativas estará em Piranhas, para, além de trabalhar com essas questões, conversar com os habitantes sobre lendas, o rio são Francisco e o lampião. No passado, a cidade sediou um combate épico entre um de seus moradores, Seu Chiquinho Rodrigues, e um dos bandos de lampião. O tiroteio entre eles marcou singularmente os valores nordestinos de honra, fé, amor à família. Em Piranhas foram rodados muitos filmes e documentários sobre cangaço e assuntos correlacionados, como Baile Perfumado.

O município é banhado pelo rio São Francisco e foi reconhecido como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN. Ainda, Piranhas fez parte da chamada Rota do Imperador, passagem de D. Pedro II, foi palco de inúmeras visitas de artistas notáveis como Altemar Dutra, homenageado com a rodovia e a orla ribeirinha de mesmo nome. Ademais, a cidade abre caminho para o conhecido Canyon do São Francisco, o qual pode ser visito por meio de catamarãs e barcos, muito usados por turistas.

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No dia 10 de janeiro, se comemora a Festa de Bom Jesus dos Navegantes, em Penedo, a próxima parada. Festejo tradicional, indicado para patrimônio Imaterial, é a maior procissão marítima das cidades ribeirinhas do Velho Chico. “O evento é lindo, anda pelas ladeiras do sítio histórico, passa pelo Rio e volta à cidade”, conta Salles. A cidade também abriga a Igreja de Santa Maria dos Anjos, uma das obras primas mais visitadas, foi sede de um dos maiores eventos cinematográficos, o Festival de Cinema, que reuniu importantes artistas brasileiros.

De acordo com Werner Salles, os historiadores discordam sobre a origem de Penedo. Uns dizem que a criação do povoado está relacionada a Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. Outros, afirmam que o responsável foi Duarte Coelho de Albuquerque, segundo donatário da Capitania, que herdou do pai. São sobre esses e outros assuntos que a experiência da trupe, junto à população, se desenvolverá.

A itinerância nos dois municípios seguintes não está ligada a datas comemorativas, mas se atem à história do lugar e dos moradores da mesma forma. No sertão alagoano, em Água Branca, a arquitetura antiga é um de seus maiores atrativos: tem a Igreja Matriz, a Igrejinha do Rosário, o Centro Histórico da Praça da Matriz, Casa do Barão de Água Branca, o calçamento da Praça Fernandes Lima e a Serra do Himalaia. Lá, a projeção é no dia 21.

Até o século 17, o território de Água Branca fazia parte das sesmarias de Paulo Afonso, na Bahia, que compreendiam, também, os atuais municípios de Mata Grande, Piranhas e Delmiro Gouveia, sendo uma das cidades mais antigas do Estado. Antes de ter o nome que carrega, foi chamada de Mata Pequena e Matinha de Água Branca, que veio de uma serra da região, rica em fontes de águas muito limpas. Sua fundação se deve a três irmãos da Família Vieira Sandes, que, liderados pelo Capitão Faustino Vieira Sandes, saíram da localidade de Boacica, hoje parte dos municípios de Igreja Nova e Porto Real do Colégio, no Vale do Itiúba, para desbravarem o sertão.

Para terminar, no fim de janeiro, dia 28, o Núcleo Zero chega em Porto Calvo, um dos primeiros lugares a ser habitado pelos portugueses e a última cidade visitada. A cruzada organizada por Cristóvão Lins percorreu parte do litoral, expulsando os índios e se apossando de suas terras. Lins recebeu o título de alcaide-mor de Porto Calvo em 1600. O povoado foi se formando com o movimento entre o norte e o sul, assumindo características de vila nos primeiros 30 anos do século 17.

A origem do nome vem de uma lenda na qual um velho calvo, que morava às margens do rio, construiu um porto, conhecido como o “Porto do Calvo”. Quando foi elevada, a vila passou a se chamar Bom Sucesso, em homenagem à vitória de Matias de Albuquerque contra os holandeses, mas permaneceu Porto Calvo até os dias atuais.

Sempre presente em fatos políticos, a cidade teve papel saliente nos diversos acontecimentos da Capitania de Pernambuco. Fez-se notável pela parte que tomou na guerra com os holandeses, serviu de base para as forças expedicionárias e como entreposto comercial durante o período da destruição do célebre Quilombo dos Palmares. Tem como filhos ilustres Domingos Fernandes Calabar, Zumbi e Guedes de Miranda, sendo que Calabar se tornou o caso mais famoso de deserção do país.

Além da própria história, o município possui como atrativos a Igreja Matriz, considerada Monumento Nacional pelo Senado Federal e tombada pelo serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, que traz estampada em seu frontispício a data de 1610, como ano de sua conclusão; o Alto da Forca e o rio Manguaba.

SERVIÇO:
Narrativas em Movimento
Rumos Itaú Cultural 2015-2016

Marechal Deodoro
Veja como foi

União dos Palmares
Veja como foi

Piranhas
Veja como foi
Data final: 21 de dezembro, Véspera de Natal

Penedo
Veja como foi

Próximas cidades em definição. Em breve divulgaremos aqui no site e em nossas redes sociais.

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O que saiu na imprensa:

Projeto Narrativas em Movimento emociona o público de Alagoas (Matéria Diário do Poder)
Movimentando e colorindo o interior (CadernoB – Gazeta de Alagoas)
Projeções do Projeto Narrativas em Movimento contam a história de Marechal Deodoro (G1 – TV Gazeta)
Projeto de Educação Patrimonial faz itinerância por Alagoas (Blog Itau Cultural)


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