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NZ aposta no universo da animação

NZ aposta no universo da animação

Curta-metragem Dialetos, de Weber Salles Bagetti, é a primeira experimentação da produtora totalmente realizada com a técnica

Dialetos – animação 15′ – teaser from weber bagetti on Vimeo.

Vencedor do prêmio de melhor trilha sonora na V Mostra Sururu de Cinema Alagoano, o curta-metragem Dialetos, de Weber Salles Bagetti,  é o ponto alto de um longo namoro do Núcleo Zero com a animação.  Um flerte que nasceu nos projetos publicitários e, com o tempo, foi se tornando uma espéciede marca da produtora.

Seja dando um toque artístico a VTs e vídeos institucionais, ou imprimindo simbolismo a trabalhos autorais e mais densos – a exemplo dos documentários Interiores ou 400 Anos de Solidão e EXU – Além do Bem e do Mal – a técnica tem sido aperfeiçoada em desafios cada vez mais ousados.

Com Dialetos a empresa dá um passo definitivo rumo à especialização. Ao contrário de projetos anteriores, onde a animação surgia como mais um dos recursos narrativos,  o curta-metragem de 15 minutos é um belo exercício de estilo e técnica, onde absolutamente todas as sequências foram realizadas a partir do desenho.

No filme o diretor e animador Weber Salles, que é oriundo das artes plásticas, constrói uma narrativa impregnada de provocações existencialistas. A subjetividade dá o tom do projeto, que agora aguarda seleção em festivais do Brasil e do exterior.

Atualmente o Núcleo Zero dispõe de equipe e estrutura para a realização de trabalhos em animação adequados aos mercados mais exigentes, e a partir das mais diversas técnicas.  Para conhecer um breve apanhando dos projetos de animação da produtora, clique neste link. A seguir, leia uma entrevista com o artista plástico e animador Weber Salles Bagetti.

 

BLOG- Como começou seu envolvimento com a animação? De que modo se deu a transição das artes plásticas para as imagens em movimento?

WEBER SALLES BAGETTI. O meu deslumbramento com as artes plásticas se deu com o fascínio das múltiplas possibilidades. Como naturalmente acontece, o universo bidimensional da pintura pede, depois de um certo tempo, a extrapolação do suporte para uma forma tridimensional que se dá através de esculturas, instalações e etc. Depois de percorrer esses caminhos naturais senti que a quarta dimensão (tempo) proporcionaria uma nova via de narrative para o desenho. Então resolvi tentar colocar os desenhos/pinturas em movimento e desbravar o fascinante mundo do desenho animado.

Como é seu processo de trabalho? Como são construídos os personagens e o universo visual?
Meu processo de trabalho é simples: começa com esboços descompromissados de ideias embrionárias e vai evoluindo como uma gestação, ganhando forma e conteúdo. Os personagens ganham características físicas após o mapeamento psicológico, que também  evolui paralelamente com o processo geral de ambientação, cenários e etc.

Antes de Dialetos, você já havia experimentado a animação em outros trabalhos muito distintos entre si, inclusive nas técnicas. De que maneira as experiências anteriores contribuíram para a feitura de Dialetos?
Entender as diversas técnicas de animação foi importante num período que serviu de laboratório na publicidade. Arriscamos num assunto que conhecíamos muito pouco e aprendemos fazendo, arriscando inserções modestas em trabalhos distintos: audiovisual, conteúdos museográficos, projeções mapeadas e outros. Essa carga anterior de experimentação serviu de base para o curta Dialetos que, mesmo nas suas limitações,  mostrou um caminho interessante.

Com quais referências você dialogou para a construção do projeto?
Basicamente foi usada a técnica quadro a quadro, uma das mais antigas de desenho animado e com o auxílio de alguns softwares consegui otimizar um pouco o processo. Foi um trabalho meio caótico porque foi ganhando diversas texturas, alguns esboços ganharam vida sem rebuscamento e outros foram trabalhados com mais apuro. Dentre as influências que sempre me marcaram cito Jan Svankmajer, Alexander Petrov, Neil Gaiman, Andrei Tarkovsky, Mutarelli, Sartre, Jorge de Lima, Jung. Dentre os mais novos tem o Alê Abreu (O Menino e o Mundo), Luciano do Amaral (stop motion), Bruno Monteiro (Uma História de Amor e Fúria).

Além da animação, você também é responsável pela trilha sonora e pelo desenho de som de Dialetos.  De alguma forma esse acúmulo de funções reverbera no resultado final?
Esse acúmulo de funções não foi por egoísmo, tudo foi seguindo em paralelo e quando me dei conta já estava adiantado. De certa forma teve um pouco de falta de planejamento anterior para dividir tarefas. O pouco tempo para entrega foi um dos agravantes porque em animação, prazos pequenos exigem equipe maior e não tivemos esse luxo. Enfim, o aprendizado tirado nesse trabalho me diz que o próximo tem grandes chances de melhorar.

Existem novos projetos em desenvolvimento? Pode falar de algum?
O exercício nunca cessa. No Núcleo Zero o processo de criação dos trabalhos tenta sempre contemplar ou inserir a animação nos projetos de audiovisual. Sendo trabalhos institucionais ou autorais, a busca do exercício constante e depuração da técnica estão semprena pauta.

 


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