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Núcleo Zero marca presença em edital com dois curtas

Núcleo Zero marca presença em edital com dois curtas

Na próxima sexta-feira (15), o público vai conhecer o olhar de cinco novos realizadores alagoanos. A data marca um momento histórico para o audiovisual no estado, com o lançamento das cinco obras inéditas, o quê não acontecia desde o cancelamento do Festival do Cinema Brasileiro de Penedo, no início da década de 80. Os filmes foram contemplados no primeiro Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, e receberam R$ 15 mil para suas produções.

Com um robusto currículo audiovisual, o Núcleo Zero marca presença na sessão com dois curtas-metragens que levam o selo Filmes Imperfeitos, criado para assinar os projetos de cinema da empresa. O Road-movie KM 58 foi dirigido pelo jornalista Rafhael Barbosa (Chimarrão, Rapadura e outras Histórias) e contou com edição de Werner S. Bagetti, autor dos documentários Imagem Peninsular de Lêdo Ivo e História Brasileira da Infâmia, e vencedor do troféu Candango de melhor Roteiro no Festival Brasília por Tudo Isto me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno. O filme acompanha algumas horas definitivas na vida de Miguel (Igor de Araújo). O protagonista dirige numa rodovia semi-deserta, durante a madrugada, visivelmente tenso. Sabe-se pouco sobre ele, além do fato de que está enrascado. No trajeto, alguns acontecimentos acentuam a tensão, mas pouco revelam.

“A tensão não é criada á toa”, explica o diretor, que também é responsável pelo roteiro.

“O desfecho é impactante e faz alusão a crimes de grande repercussão em Alagoas, absorvendo elementos de casos que até hoje permanecem sem solução. Dessa forma, o roteiro pretende ativar a memória e a imaginação da audiência, a quem caberá escrever a história pregressa dos personagens, segundo suas referências”

O Matuto Zé Cará, híbrido de documentário e animação dirigido por Tato Sales, conta as aventuras do personagem homônimo criado pelo cordelista alagoano Jorge Calheiros. A história, narrada pelo próprio cordelista, é ilustrada por desenhos criados pelo artista plástico Weber S. Bagetti. O enredo explora algumas passagens da vida de uma criança que cresceu querendo ser pescador. Do casamento de seus pais até as dificuldades enfrentadas para ter e criar um filho, as situações se desenrolam até a vida adulta do menino, onde aventuras como a perda de sua virgindade e a busca por uma alternativa de emprego, por causa da falta de peixe no rio Poxim, lhe possibilitaram jogar uma partida de futebol no time do Coruripe contra o CRB. Com muito humor e uma narrativa ágil, o curta promete arrancar boas risadas do público.

 

O Núcleo Zero e o audiovisual

Desde 2003, quando o projeto Imagem Peninsular de Lêdo Ivo venceu a primeira edição do prêmio DocTV em Alagoas, a marca Núcleo Zero tem sido associada a arrojados projetos de audiovisual que continuam a repercutir ano após ano. Até hoje reprisado na grade das TVs públicas brasileiras, em 2005 o documentário que biografa o poeta alagoano foi sucedido por História Brasileira da Infâmia – parte I, mais uma vez através do edital DocTV. Dois anos depois foi a vez de O Homem, O Rio e o Penedo, filme etnográfico que apresenta um olhar ao mesmo tempo didático e poético sobre a Festa de Bom Jesus dos Navegantes.

Weber S. Bagetti, que nos projetos anteriores do Núcleo Zero atuou como diretor de arte, agora experimenta seu talento como animador em O Matuto Zé Cará, do também novato Tato Sales.

“Animação é um recurso de linguagem que permite liberdade de invenção sem limites, sem barreiras.

Apesar da falta de experiência no assunto, as tentativas que realizei tem me mostrado ser possível diálogos inusitados de técnicas e texturas. Me encontro atualmente num mergulho na pesquisa e estudo do assunto e tem me revelado um longo caminho a percorrer. O fascínio de colocar desenhos em movimento empregando recursos de dinâmica, trilha sonora, humor, densidade, me faz recorrer ao assunto para expressar determinadas mensagens. A cada novo projeto ganho uma pequena carga de aprendizado e aperfeiçoamento”, revela o artista plástico, que já utilizou técnica semelhante no projeto Meu Pé de Fuló, da Cia. da Meia-noite, espetáculo que mistura teatro com projeção de animações.

Sobre o que será visto em O Matuto Zé Cará, Weber antecipa: “A concepção dos desenhos para esse projeto começou na tentativa de achar o perfil dos personagens e características do ambiente em que se passa a história. Por ser um cordel, seria óbvio utilizar as texturas inerentes à linguagem como xilogravura, com sua economia de cores e a precariedade no acabamento dos desenhos, características marcante nas publicações desse tipo. Resolvi não utilizar diretamente esses conceitos por não querer incorrer na obviedade, abraçando apenas o preto e branco dos cordéis na concepção visual do curta”.

Em fase de conclusão de seu mais recente projeto, o documentário contemplado no prêmio Petrobras Cultural Interiores ou 400 Anos de Solidão, Werner, que compartilhou sua experiência com o estreante Rafhael Barbosa para a realização de KM 58, resume seu sentimento ao colaborar com os novos realizadores.  “Acho que todos os filmes que levam assinatura Núcleo Zero e Filmes Imperfeitos fazem parte do mesmo projeto. O projeto de se construir um núcleo de produção independente. Aqui, aprendemos produzindo e vivemos as experiências de cada filme. Tem sido bastante produtivo essa troca de idéias, acho que reflete no produto final. Mas ainda estamos aprendendo e é esse sentimento  que mais importa pra gente. Experimentar, aprender e produzir”.

 

 



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